ROTA DAS ALGAS DESVENDA O MUNDO FANTáSTICO E COMESTíVEL OFERECIDO PELA MARé VAZIA NA COSTA PORTUGUESA

Rota das Algas é o nome do projeto iniciado em setembro de 2023 por Joana Duarte, bióloga marinha de formação e cozinheira por vocação. Ericeira, Afife, Apúlia, Figueira da Foz e Sagres são os próximos destinos destes passeios que dão a conhecer o universo das algas ao longo da costa portuguesa

Alface-do-mar, codium ou chorão-do-mar, erva-malagueta, esparguete-da-costa, fava-do-mar ou tremoço-do-mar, nori-do-Atlântico ou erva-patinha, musgo-da-Irlanda são algumas algas que podemos encontrar na costa portuguesa. À medida que as encontra, Joana Duarte, bióloga marinha de formação, com mestrado em Oceanografia, e chef de cozinha por vocação, identifica uma a uma. De modo geral, estes “seres marinhos fotossintéticos”, nas palavras da nossa cicerone, são comestíveis. “Comer não significa que sejam agradáveis ao paladar”, à exceção das que estão soltas na água. “Estas não devemos comer, porque já estão em decomposição”, adverte

O cenário eleito por Joana Duarte foi a praia da Mexilhoeira, localizada em Santa Cruz, no concelho de Torres Vedras, no âmbito da Rota das Algas. O projeto, iniciado em setembro de 2023, liga a vontade da bióloga marinha e chef de cozinha em desenvolver conhecimento no âmbito da biologia marinha, com a profunda paixão sentida pelo mar, que a conquistou desde cedo. Já adulta, fez parte da equipa do então Instituto Português das Pescas, Investigação e do Mar, agora Instituto Português do Mar e da Atmosfera, posteriormente trocado pela cozinha dos restaurantes Moo, Comerc 24 e Tapas 24, todos em Barcelona, na vizinha Espanha. Por cá, reúne, no currículo, os restaurantes de Fortaleza do Guincho, liderado por Gil Fernandes, e Tapisco, do chef Henrique Sá Pessoa, em Lisboa.

Luas e marés

Em cada rota é permitido um grupo de cinco pessoas, “para podermos dar atenção a todos e permitir que todos possam ter uma experiência única”, explica Joana Duarte. No entanto, pode acontecer que haja um chef ou um investigador na área entre os curiosos. Esta decisão também tem a ver com a segurança, “uma vez que andamos em poças de marés, escorregadias”, acrescenta. Idealmente, a Rota das Algas decorre aquando da baixa-mar, na zona entre as marés, não só para evitar incidentes na água, mas também para aceder com facilidade a uma maior diversidade de algas.

Segundo Joana Duarte, estes passeios pedestres prolongam-se por três horas e são feitos “dois dias antes ou dois dias depois da lua nova e da lua cheia, quando a maré vaza é de grande amplitude”. Assim, encontram-se mais rochas expostas e este período propicia momentos ideais para ter mais tempo dedicado à descoberta destes organismos fotossintéticos. À medida que se caminha em direção ao mar, desaparecem umas algas e surgem outras. Esta alteração tem a ver com o movimento do mar quando bate na rocha.

“As algas são o futuro!”

Ricas em magnésio, ferro, zinco, iodo, vitamina B12, as algas já contam com a designação de superalimento, a que a fundadora do projeto acrescenta, “delicioso, mas esquecido” para concluir: “As algas são o futuro!” Para Joana Duarte, esta definição requer cuidado, uma vez que é preciso precaução no consumo de algas. O ideal é ingerir “cinco gramas de alga desidratada ou 30 gramas de alga fresca por dia”. A esta recomendação, alerta que quem tem problemas de saúde com tiroide ou esteja a fazer tratamento oncológico não deve ingerir, nem permanecer em praias de rochas com algas. A alternativa são os areais da Costa da Caparica ou de Troia.

“O objetivo do projeto é que este seja itinerante e poder levar a Rota das Algas a todo o país, pois temos uma costa fantástica e única. Seria quase injusto não abraçar a nossa costa toda”, afirma a nossa cicerone. O próximo passeio está agendado para o dia 21 de julho, “pois temos lua cheia, o que significa maior amplitude de maré, e uma costa mais descoberta. Será na zona da Ericeira. Sempre de manhã bem cedo”, afirma. Em seguida, Joana Duarte vai rumar a norte, para Afife e Apúlia, respetivamente, nos concelhos de Viana do Castelo e de Esposende, e Figueira da Foz. Em setembro será a vez de Sagres, na ponta oeste do Algarve. “Também tenho a ideia de fazer nos Açores”, acrescenta.

Quanto a datas, o melhor é espreitar a página do projeto Rota das Algas, onde pode escolher uma das três opções. Além do passeio com adultos, Joana Duarte quer alargar esta atividade a grupos de cinco crianças. Chama-se Rota das Algas Kids. “Cada uma poderá vir acompanhada por um encarregado de educação”. A primeira está prevista para 20 julho, logo pela manhã. O preço será estabelecido entretanto. A maior incerteza está relacionada com a Rota das Algas Kitchen Sessions, a ter lugar em agosto e setembro.

SEMEAR

A Rota das Algas (€45) efetuada pela praia da Mexilhoeira, realizou-se no âmbito do SEMEAR, o pop-up gastronómico dedicado à gastronomia e à sustentabilidade, que decorreu no resort Areias do Seixo, distinguido com o galardão da Sustentabilidade e Chave de Ouro, no Guia Boa Cama Boa Mesa 2024. Como resultado deste passeio, Joana Duarte, que acumula a função de consultora de restaurantes e de formadora na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril e na Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal, apresentou “um prato inspirado na nossa costa”: uma tiborna de peixe-porco com algas, cujo pão é feito com este produto marinho no “Pão do Farinha”.

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